O último defensor da Coroa

Senna e Lamy

Em dia de “celebrar” os 200 anos da chegada da Família Real portuguesa ao Brasil, vale lembrar do último representante lusitano a participar de um Grande Prêmio de Fórmula-1. Com nome de conde, José Pedro Mourão Nunes Lamy Viçoso, ou simplesmente Pedro Lamy, nasceu também em março de 1972 e iniciou sua carreira sobre jantes (rodas) em campeonatos mirins de motocross. Apesar da escolha ser ligeiramente inusitada, levando em conta o destino na profissão, não é tão incomum.

motocrossRapidamente posso citar John Surtees, campeão nas motos e nos carros; Emerson Fittipaldi, com passagem vitoriosa pelas duas rodas; e Damon Hill, que antes de seguir os passos do pai fez corridas de motovelocidade. De qualquer forma, o gajo em foco nesse texto foi campeão nacional de mini motocross e mini motociclismo de 1978 até 1981.

Fórmula 3Após diversos vice-campeonatos de kart, foi campeão nacional em 1988 e a partir daí foi campeão em quase todo tipo de monoposto, em uma ascenção meteórica: Campeão Nacional de Formula Ford, vencedor da Taça das Nações em Formula Opel, Campeão Europeu de Formula Opel, Campeão Alemão de Fórmula-3, vencedor do Marlboro Masters de Fórmula-3, vencedor do Challenger Mundial de Fórmula-3 e vice-campeão Internacional de Fórmula 3000.

Um currículo impressionante, aliada à amizade com Ayrton Senna, e até mesmo escapar da maldição dos campeões de F-3000 indicavam um carreira especial no automobilismo de ponta. Em 93, após o acidente de Alessandro Zanardi, na Bélgica, o próprio Senna, a pedido do manager que tinham em comum, indicou Lamy para substituir o italiano.

O primeiro GP foi na Itália. Sem experiência prévia com o carro, o começo não foi muito promissor. Enquanto seu companheiro de equipe, Johnny Herbert, conseguiu um impressionante sétimo posto na “grelha”, Lamy foi 26º e último colocado. Teve uma prova sem grandes incidentes, com ritmo constante, mas pouco inspirador. Foi classificado em 11º, apesar de ter abandonado a prova a quatro voltas do final, com o motor Ford quebrado.

1994Até o final do ano, conseguiria se aproximar dos tempos de Herbert, mas, reclamando de um carro inferior ao do inglês, sem suspensão ativa (provável reflexo da iminente falência do Team Lotus), Lamy não conseguiria superá-lo na temporada.

Em 1994, sua equipe estava com um pé na cova, mergulhada em dívidas e, como próprio Lamy revelaria, “faltava segurança na construção do monoposto”. Nas três primeiras provas, ele e Herbert largaram sempre lado a lado, mas amargando as últimas filas do grid. Em San Marino, o português teve o duvidoso destaque em participar do “horror” protagonizado pela F-1.

Acidente Imola largadaNa largada, o motor da Bennetton de J. J. Lehto morreu e Lamy, que vinha lá de trás, não conseguiu evitar a colisão. Os destroços da frente de seu Lotus voaram por cima das cercas de proteção e atingiram quatro espectadores e o Safety Car foi acionado. O diminuto português pulou do seu cockpit ileso, mas a seqüência de eventos daquele final de semana deixaria cicatrizes imensas em todo o circo da Fórmula-1

Logo após o GP de San Marino, a equipe Lótus agendou um de seus poucos testes naquela última temporada, em Silverstone. Num carro descrito como muito instável, Lamy sofreu um sério acidente, quebrando as duas pernas, sendo afastado pelo resto da temporada.

Lamy AdelaidePara 1995, acertou um contrato de testes com a Minardi, o começo promissor estava começando a se apagar e as opções eram poucas. Substituiu Pierluigi Martini na metade da temporada e, após apagadas exibições da Minardi, conseguiu o único ponto da equipe no ano, primeiro e único de sua carreira, em Adelaide, na Austrália.

O ano de 1996, foi para fechar as cortinas em monopostos. Mais uma temporada na fraca Minardi fez com que Lamy refizesse planos. O português partiu para uma vitoriosa carreira em carros de turismo e ainda defende a bandeira portuguesa em provas de endurance, inclusive tendo participado de algumas Mil Milhas em Interlagos.

Lamy 1995
Peugeot Endurance
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~ por Bernardo Bercht em março 7, 2008.

Uma resposta to “O último defensor da Coroa”

  1. thiago monteiro? conta?

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