Spa – Parte 2 – A fase heróica e o domínio de Clark

Faltando pouco mais de um mês para o
retorno da F1, está na hora da continuação!
(Primeira parte/clique aqui)
Jim Clark, imbat�vel nos anos 60 em Spa

A era heróica começou de forma trágica em Spa, no Grande Prêmio de 1960, dois pilotos perderam a vida, um sofreu um acidente que acabou com a sua carreira e a estrela Stirling Moss escapou por um milagre, quebrando as duas pernas. Chris Bristow errou o traçado na desafiante Malmedy, bateu e morreu instantaneamente. Alan Stacey foi atingido por um pássaro na Masta, perdeu o controle e sofreu uma colisão fatal. A coluna de direção do Lótus 18 de Mike Taylor quebrou durante os treinos e o piloto sofreu múltiplas fraturas, encerrando as atividades de piloto.

Chris BristowEm resumo, esse seria o final de semana mais trágico para a Fórmula 1, até maio de 1994… A corrida foi dominada pelos Cooper-Climax, que terminaram nas três primeiras posições, com Jack Brabham e Bruce McLaren fazendo a dobradinha. O grande dominador da década, porém, espreitava com seu Lótus 18 na quinta colocação.

Na temporada seguinte o show foi das Ferrari bico de tubarão com seu projeto revisado. A Scuderia teve controle total da prova, com Phil Hill liderando um pelotão de quatro bico de tubarão nas primeiras posições.

Phill Hill, que dominou a prova de 1961Seu primo, Graham Hill, tentou colocar água no vinho dos italianos com o seu BRM. Em0 uma largada espetacular, pulou da terceira fila para a ponta, mas logo seria ultrapassado pelos bólidos vermelhos. No fim da prova, ainda teve uma bela briga com o Cooper de John Surtees pela quinta colocação, mas uma quebra no motor tirou o BRM da prova e fez Dan Gurney herdar o primeiro ponto para a equipe Porsche, no sexto lugar.

A corrida de 1962 marcou a primeira vitória do escocês voador Jim Clark em sua pista mais odiada. Essa é uma situações curiosa, já que o escocês venceria todas as provas realizadas no circuito de 1962 a 1965. Existe uma explicação, no entanto. Um grande amigo de Clark, Archie Brown, morreu numa corrida de protótipos em 1958 e desde esse momento, o ódio com a pista estava registrado. Mais engraçado ainda é constatar que Clark adorava Mônaco e mesmo assim nunca ganhou no principado…

Cenas do filme Grand Prix gravadas em 1966

Até 1966, não foram registrados grandes acidentes nas estradas belgas. Durante as gravações do filme Grand Prix, porém, um temporal desabou no traçado e parecia que o show de horror retornaria. A principal vítima do aguaceiro foi Jackie Stewart, que aquaplanou e bateu com violência, preso nas ferragens e ensopado de gasolina. Esse acidente foi um marco para a F1 moderna, pois a partir daí é que o jovem escocês começaria a sua cruzada por melhores condições de segurança nos circuitos da F1, a vitória ficou com John Surtees com a Ferrari.

Acidente de Jackie Stewart

Dan Gurney – segundo o pai de Jim Clark o único piloto que o escocês temia – foi o vitorioso em 1967 com o seu Eagle-Westlake. No circuito técnico e desafiador de Spa, os dois amigos sempre se destacaram, mesmo que o americano não tenha transformado performance em resultados tão bem como Clark.

No primeiro ocaso de Spa, Bruce McLaren venceu em 1968 com o seu carro. Ali já começavam discussões quanto aos riscos da prova naquele traçado rápido e sem medidas de segurança, com postes e árvores espalhados pelo circuito. 1969 não teve uma prova na Bélgica e a F1 voltou apenas mais uma vez em 1970, quando Pedro Rodriguez venceu no seu Yardley McLaren.

Cenas da vitória de Rodriguez

Começava um grande intervalo para o autódromo, que só retornaria ao calendário em 1983, após modificações intensas que reduziriam as suas dimensões para o modelo moderno da F1 e definiriam uma cara parecida com a que o circuito tem hoje em dia. A tragédia marcou os anos 1960 em Spa, mas também o glamour de Hollywood e o domínio do escocês voador naqueles tempos aventureiros, onde os pilotos paravam para uma conversa de paddock sentados “no capô” dos bólidos, para matar os minutos para a largada.

Gurney e Clark batendo papo em Spa

 

 

O recomeço é na era turbo (1983-1988)

 

 

 

 

 

 

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~ por Bernardo Bercht em agosto 2, 2007.

2 Respostas to “Spa – Parte 2 – A fase heróica e o domínio de Clark”

  1. PARABÉNS PELA BELÍSSIMA MATÉRIA! NOTA 10! PODERIA FAZER UMA MATÉRIA PARECIDA SOBRE A TEMIDA PISTA DE NORDCHELEIFE. ABRAÇO

  2. Concordo com o Vitor.A matéria está demais.Em resumo conhecemos um pouco da história desse maravilhoso, desafiador e perigoso circuito.Eu também tenho uma fixação pelas décadas de 60 e 70 da F1 e um dos circuitos mais misteriosos e desafiadores com certeza era o de Nurburgring Nordcheleife.
    Seria um presente para nós ter uma matéria parecida com a de Spa.
    Um abraço.

    Robson Nascimento.

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