Retorno polêmico…

Ou: o que eu acho da…

Stepneygate

Esse meu recesso comprido aqui no Downforce F1 deixou alguns eventos importantes da temporada não abordados, alguns dos melhores GPs, a recuperação de Raikkonen e Alonso, a primeira corrida sem pontos de Lewis Hamilton… O principal, porém, foi a discutida decisão da FIA sobre o caso de espionagem envolvendo pessoal chave das equipes Ferrari e McLaren.

Todos já devem estar sabendo que a entidade máxima julgou a equipe britânica culpada de possuir um dossiê com informações confidenciais da sua rival italiana, mas não aplicou qualquer punição por não ter evidências concretas de que esses dados tenham sido utilizados. Claro que essa resolução aparentemente contraditória (potencialmente um paralelo dass nossas famosas pizzas parlamentares) do órgão máximo do automobilismo causou furor não só entre os torcedores como nos meios “especializados”, que adoram um “banho de sangue” em sua ilusão de que caça às bruxas vende mais…

Bem… Vou polemizar! hehehe… Concordo na maior parte com a decisão da FIA. Analisando os personagens e fatos do caso com frieza, sem aquele olhar no estilo “justiça dos mais do que justos”, que normalmente é balela; acredito que essa foi uma decisão acertada da entidade.

Vamos a alguns tópicos para pensar:

– Ao contrário de outras equipes, a McLaren nunca se viu envolvida em qualquer polêmica de fraude contra o regulamento, espionagem ativa e passiva ou sabotagem de equipes adversárias na sua história.

– Enquanto isso, a Scuderia Ferrari é famosa por “esticar” regulamentos técnicos para o uso de equipamentos que na prática não respeitam o intuito das regras (vide assoalho móvel no início desse ano, asas flexíveis, controle de tração escondido em 1996). Além disso, admitidamente recorreu à escuta clandestina de rádio de outras equipes e pressionar a quem fornecia motores para contribuir em suas estratégias de corrida.

– Como raios Nigel Stepney sabotou os tanques de gasolina da Ferrari com um pó branco em maio se estava de licença e dias antes tinha se encontrado em uma reunião com Nick Fry e Mike Coughlan sobre a sua mudança para a Honda? Aliás, as datas parecidas não fazem pensar que a história de sabotagem foi uma represália da Ferrari contra o seu funcionário?

– Nigel Stepney trabalhou na equipe italiana desde 1998… Nove anos de serviço para a maior equipe de F1 e só agora descobriram que ele era um baita picareta? Ou ele não era e não é, ou para a Ferrari sempre foi interessante que ele fosse um malandrão…

– Qual o motivo de Jean Todt e companhia estarem tão encolerizados pela decisão do órgão máximo da F1 e bradando histericamente contra a equipe McLaren com quem inclusive teria assinado um acordo de cavalheiros para melhor relacionamento em prol da F1?

– Relato isso porque antes da decisão estavam tão polidos e elogiando a cooperação do time inglês nas investigações… Agora publicam inclusive uma nota de repúdio se dizendo prejudicados pela indicação de ilegalidade do seu assoalho, que só poderia ter sido descoberta se fosse delatada… Quer dizer, foram prejudicados por não poder mais usar uma peça ilegal?

Foto do assoalho móvel no in�cio do ano– Pior ainda… Desde o início do ano era possível perceber as molas acopladas na quilha da Ferrari em fotos, com os melhores engenheiros do mundo trabalhando era só pensar 2 segundo e concluir que molas se movem, portanto… Um dispositivo aerodinâmico móvel ilegal…

– Mike Coughlan, um engenheiro inglês milhonário mandou a mulher fazer cópias numa gráfica de um dossiê ultra-secreto e ilegal? Raios! Por que não comprar uma máquina própria e um estoque de tinta se ele esperava ganhar fortuna com aquela “papelada do capeta”?

– Como o risonho Coughlan e a Ferrari chegaram a um acordo tão rápido para que o inglês não fosse para a cadeia? Ao mesmo tempo, a Ferrari continua pressionando Stepney que jura não conhecer nada do caso e ter virado bode expiatório…

 

Enfim… Por mais que não existam evidências concretas para esse ponto de vista, ainda acredito que esse caso seja uma tremenda forçação de barra da Ferrari. Duas temporadas na seca, perder boa parte do seu staff, Schumacher, perder o patrocínio da Vodafone e ainda tomar chocolate da McLaren no campeonato com um carro melhor é demais para a Scuderia, que resolveu encontrar uma forma destrutiva de desbancar sua concorrente…

 

 

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~ por Bernardo Bercht em julho 30, 2007.

3 Respostas to “Retorno polêmico…”

  1. Não poderia esperar outra coisa de você. Adora pensar o que ninguém pensa e ainda por cima acredita nessas maluquices kkkkk
    Fala sério, a Ferrari foi a maior prejudicada e você quer culpá-la pela cagada toda?
    Se suas colocações fazem sentido, é claro que fazem, mas o caso é tão cheio de incertezas que qualquer possibilidade que qualquer um levantar vai fazer sentido.
    Eu acredito é que sairemos dessa confusão sem saber ao certo o que realmente aconteceu, e o mistério nunca será totalmente revelado. Tomara que eu esteja errado.

  2. Na verdade não estou sozinho na minha análise, cito o site Autosport como um dos veículos que levantou a possibilidade de uma mega represália ferrarista…

    Não quero culpar a Ferrari, sei muito bem que Mike Coughlan tinha o dossiê, mas não entendo pq a Scuderia fechou acordo com ele tão facilmente para testemunhar contra McLaren e Stepney (é muito oportunista!). A Ferrari é famosa por suas políticas “estranhas e arriscadas” e acho mais fácil imaginar uma facilitação para obter a informação para Coughlan do que a McLaren montando uma operação para obter os planos dos italianos.

    Enfim, pq a Ferrari não ficou tão enlouquecida e pedindo punição quando funcionários da Toyota compraram todos os desenhos do seu bólido em 2002? Talvez pq os japoneses não ameaçavam sua supremacia? Pq estavam ganhando tudo? Ou talvez pq os japoneses pagaram bem pelo silêncio?

    É um caso muito estranho, mas tu mesmo respondeu pra mim: minhas colocações fazem sentido, então não é uma perspectiva que deva ser ignorada.

  3. Para já… seja bem vindo! Quanto ao assunto em si… tentei não falar muito, pois achava que isto tudo iria acabar da maneira como acabou. E sim, li muita coisa que indicava pressão da Ferrari para que a McLaren fosse excluida. Mas a FIA não queria “dar o ouro ao bandido” e matar a Formula 1. Nese aspecto, eles aguentaram-se…

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