Três estrelas, duas surpresas e um milagre da engenharia!

Montreal 2007

Não faltaram momentos de perder o fôlego para emoldurar a primeira vitória da mais nova adição aos top-drivers da Fórmula 1. Lewis Hamilton não colocou uma roda fora do lugar um efeito épico na corrida mais caótica e embaralhada dos tempos modernos da categoria.

Foi uma corrida de demolição, numa pista de pouquíssima aderência e sem saídas de escape. Seis pilotos foram vítimas das muretas implacáveis do Circuit Gilles Villeneuve, cinco delas por exageros dos pilotos e deixando apenas suspensões tortas. Na 26ª volta, porém, Jarno Trulli tentou evitar a ultrapassagem de Robert Kubica, abusou na fechada e mandou o polonês para fora da pista… Começava o milagre…

Acidente de Robert KubicaAs rodas dianteiras do BMW saíram do chão ao bater numa elevação da grama. Sem contato com o solo, o monoposto atingiu o muro de proteção de frente, explodindo em milhares de pedaços. Apenas a roda traseira ficou presa ao seu eixo, o que foi ainda pior, pois lançou o carro novamente ao ar, capotando de volta para a pista e deslizando até a barreira de proteção do outro lado.

Mesmo com o HAMS a cabeça balançou várias vezes sem controle, enquanto o carro se desfazia. Parecia 1994, a repetição do impacto fatal de Roland Ratzenberger. Mais terrível talvez, pois se enxergava os pés do piloto desprotegidos, apontando para fora da célula de sobrevivência! A evolução dos padrões de segurança da F1 desde lá impediu uma tragédia, porém. Ainda antes do carro parar de deslizar, foi possível perceber gestos de Kubica como se estivesse testando os dedos, para conferir se tinha sofrido alguma fratura.

O resgate foi rápido, mas as notícias eram poucas. Primeiro veio o alívio de que o polonês estava estável, depois surgiram rumores de que estava consciente e quebrado uma perna. No fim das contas o saldo foi ainda mais milagroso! Um tornozelo deslocado, uma concussão craniana leve e pode até ser que ele participe da corrida na próxima semana. Fantástico!

A segunda estrela, Nick Heidfeld finalmente conquistou o seu pódio pela BMW, uma merecida vitória pessoal. O único, além de Hamilton, a ter uma corrida relativamente normal, manteve um ritmo incrível, numa estratégia semelhante aos líderes. Melhor ainda, passou Alonso na largada e ainda virou tempos sempre melhores que os da Ferrari.

Raikkonen e Alonso nos pitsFerrari que foi a surpresa negativa da prova. Tanto pilotos como equipe estavam totalmente estonteados nesse final de semana. Depois de levarem um chocolate da McLaren nos treinos, tomaram outro banho de água fria na corrida. Massa largou bem e tinha um pódio garantindo com os inúmeros erros de Alonso, mas colocou tudo fora no seu pitstop.

Enquanto que Robert Kubica obedeceu ao farol vermelho na saída dos boxes, Massa e Fisichella tiveram um lapso mental e ultrapassaram o polonês, voltando à pista de forma ilegal. Algumas voltas depois, teriam de recolher os carros sob bandeira preta. Inapelável… Raikkonen fez mais uma corrida apática para terminar na 5ª colocação.

Nossa segunda surpresa foi Alexander Wurz. Resistindo aos toques, batidas, saídas de pista e safety cars, o austríaco acabou subindo ao pódio, com o terceiro posto. Correu boa parte da prova sem um pedaço do aerofólio traseiro (temerário, dadas as condições marginais da pista), mas fez valer o seu conhecimento do carro, como piloto de testes, e conduziu com segurança, devolvendo a Williams ao pódio, depois de 2 anos de seca.

O recorde de 5 intervenções do Safety Car deve ter enlouquecido os estrategistas das equipes. Uns ficaram tão perdidos que jogaram a corrida fora, caso da Honda… Rubens Barrichello poderia trazer os primeiros pontos para a montadora japonesa, mas ele e a equipe não souberam aproveitar as bandeiras amarelas para fazer seu pit e tiveram de amargar a 12ª e última posição.

Tão loucas estavam as estratégias que a equipe que parecia mais perdida no pelotão, a Super Aguri, acabou colocando Takuma Sato nas melhores condições para a parte final da prova. E o japonês agarrou a chance com gula.

Sato à espreita de AlonsoUltrapassou Ralf Schumacher, sem cerimônias pela oitava colocação, herdou a sétima com a parada de Barrichello e, na penúltima volta, como só o seu espírito kamikaze poderia vislumbrar, alinhou por fora com o campeão mundial (irreconhecível nessa etapa…) e tomou o sexto posto, na freada para o “Wall of Champions”. Glorioso japonês!! Seu quarto ponto no campeonato, o quarto da Aguri, que agora divide a 7ª posição entre os construtores com a Red Bull!

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~ por Bernardo Bercht em junho 11, 2007.

Uma resposta to “Três estrelas, duas surpresas e um milagre da engenharia!”

  1. Sim, Sato é o cara!! No bolão da comunidade do Massa apostei que ele chegaria em oitavo e me dei mal. Deveria acreditar mais nele, né? E essa batida do Kubica me deixou bastante apreensiva. Num momento vc se espanta, depois vê o que realmente aconteceu e fica lá esperando notícias do piloto. Pra eu que só gosto de corridas já foi uma tortura, imagina para a família dele? Um verdadeiro milagre, concordo com vc.

    Bjs

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