Preview Canadá – Circuit Gilles Villeneuve

Montreal 2007

Depois do glamour de Mônaco, a Fórmula 1 faz aquela sua primeira passagem pela América, com corridas seguidas em Montreal e Indianápolis. O primeiro desafio é nas ruas do parque da Ilha de Notre Dame, onde é montado todos os anos o Circuit Gilles Villeneuve. Às margens do Lago Olímpico, palco dos jogos de 1976, os pilotos enfrentam um dos traçados mais desgastantes da temporada, ao menos mecanicamente.

Os freios são os mais exigidos, tanto que as equipes chegavam a desenvolver dutos de refrigeração especiais para a prova, muito maiores. Com a diminuição de cilindrada do motor, isso não ocorreu no último ano, assim como não aconteceram grandes crises do sistema para os pilotos. Ainda assim, é um desafio para os engenheiros o compromisso de andar rápido na enorme reta de um quilômetro e ainda assim dar aderência suficiente para os pilotos contornarem as diversas curvas de média e baixa velocidade.

Alonso contorna a chicane da Wall of ChampionsEntre os charmes de Montreal existe ainda o “Wall of Champions”, ou muro dos campeões, na saída da chicane que liga o retão à linha de chegada. É uma freada complicada e com zebras altas, se morder com muita vontade o lado interno o destino é o muro, se der acelerador muito cedo na saída, o normal é pagar um mico e rodar de encontro ao guard-rail dos boxes.

Existem dois aspectos negativos principais na pista: os pontos de ultrapassagem “virtuais” e o acúmulo de farelo de borracha no fim da prova. Os pilotos poderiam ultrapassar no fim da reta principal, ela é grande e antecedida por um hairpin de baixa velocidade. O problema é que a FIA instaurou o limite de giros do motor, ou seja, quando o pessoal pegar a carona do vácuo, vai logo dar de frente com a barreira dos 19.000 rpm, que “loguin, loguin” será atingida pelo seu rival, então dificilmente algum piloto conseguirá alinhar para a disputa da freada…

Outro aspecto que, em circunstâncias normais, joga contra a ultrapassagem é o quão suja fica a pista do Canadá fora do seu traçado. Depois de umas 30 voltas (lá pelo segundo jogo de pneus do pessoal), a farofa de borracha começa a se acumular nas laterais do circuito, e para se proteger da perda de aderência nenhum piloto em sã consciência muda a tomada da curva para tentar passar o da frente.

Isso pode mudar no fim da prova, quando a quantidade de farelos é tão grande que começa a atingir a linha boa e daí as ultrapassagens ocorrem pelos erros e escorregadas dos pilotos, principalmente no hairpin. Dessas é bom lembrar de Kimi Raikkonen perdendo o ponto de freada e sendo ultrapassado pela segunda posição por Schumacher, no ano passado.

Momento Oráculo…

Grampo de MontrealDizem por aí que essa é uma pista boa para a Ferrari sempre, mas não é beeeeem assim… A Scuderia foi batida no ano passado pela Renault e teria chegado atrás da McLaren inclusive, não fosse a escorregada de Raikkonen. No ano anterior, ainda que se possa jogar a responsabilidade nos fracos pneus Bridgestone, a McLaren é que levou a melhor sobre os carrinhos vermelhos.

Juntando isso à evolução da McLaren, já comprovada em corridas anteriores, o prognóstico é de uma bela briga entre as duas líderes do campeonato. Os bólidos italianos partem com uma ligeira vantagem, mas as flechas de prata vão acompanhar de perto e tem o “momento” a seu favor para dar o pulo do gato. Afinal, ganhar uma prova como Mônaco com 1 minuto de vantagem é bastante animador para qualquer time.

A patota de Ron Dennis conta também com o inferno de transição de Kimi Raikkonen, o que normalmente faz a Ferrari dispor apenas dos préstimos de Felipe Massa, tecnicamente mais fraco. Massa está confiante no retorno ao topo do pódio, porém. Em resumo, vou contrariar um pouco meus argumentos: acho que Raikkonen volta a respirar com uma vitória, seguido de Alonso em briga forte com Massa e Hamilton.

Sobre o resto da tropa, a Williams pode surpreender, pois andou bem em Paul Ricard e tem uma história de bons resultados em Montreal. Renault aposta na correção de seus problemas aerodinâmicos e a BMW continua com sua regularidade em acumular pontos intermediários.

Daí para frente tudo pode… Red Bull e Honda devem ter um pouco de vantagem sobre a Toyota, mas não será surpresa se as Aguri vierem infernizar as grandonas. Ah! E apesar da performance de Scott Speed nas ruas de Mônaco, eu não acredito mais numa Toro Rosso andando entre os 10 primeiros em circunstâncias normais… Spykers lá atrás, obviamente…

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~ por Bernardo Bercht em junho 7, 2007.

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