Os Bolhas na pista

Descida do S em Interlagos

Começou a categoria mais insonsa e bem sucedida do Brasil. A poderosa Stock Car, agora “by Nextel”, voltou a esbanjar os seus patrocinadores de peso; mostrar as suas bolhas feias, pesadonas e lerdas; roncar alto com seus motores que parecem sofrer de faringite aguda; e o principal e indispensável, seu empurra empurra generalizado.

Vamos começar pelo começo, claro… A largada em fila dupla, imitando a boçal Nascar norte-americana. Os pilotos fracassaram duas vezes no alinhamento, a embolação é lamentável e quase que ocorreu um acidente que poderia empilhar diversos carros antes mesmo que a bandeira verde fosse agitada. Daniel Serra e Felipe Maluhy se estranharam na Junção e, se tivéssemos uma rodada ia ser dos eventos mais patéticos já apresentados no automobilismo.

Então os viventes largaram… Não conseguiram fazer uma volta sem o bate-bate dominá-los. Logo depois da Reta Oposta, Christian Conde deu um totó em Ricardo Sperafico, que rodou e bateu forte de traseira. Sem vítimas, mas o Safety Car precisou entrar na pista. Novo começo, novos toques, muita dificuldade de ultrapassar na freada, só apoiando o carro nos adversários mesmo, o tal botão do óxido nitroso ninguém sabe quando cada piloto usou e mesmo assim a melhor arma para passar ainda foi testar a resistência da carenagem adversária.

Enquanto isso, a Globo muito focada no inesgotável Cacá Bueno, que largou lá de trás e, ainda que tenha feito boa prova, nunca figurou entre os primeiros, mas ainda assim recebeu a maior parte da atenção do “plin-plin”. Para a glória deles, foi possível acompanhar alguma disputa on-board com o “número 1”, perdendo outros lances chave, no entanto, como a briga pela ponta, que aparecia de quando em quando, em breves flashes… Mas quem quer saber disso né?

Bem, não podíamos ficar muito tempo sem batidas né? Eis que, na volta 12, uma briga tripla por posições entre Rubens Fontes, Tarso Marques e Marcos Gomes resultou em um otimismo ofensivo de Gomes, numa fechada “eu sou o dono da pista” de Marques e, por fim, em um empilha-empilha. Rubens Fontes arranjou um cantinho para se escapar, mas o irmão de Tarso, Thiago, juntou-se à festa depois de ser praticamente arremeçado de frente contra o muro por Paulo Salustiano. Muito esportivo. Tudo isso sob bandeira amarela, ainda por cima, pois Lico Kaesemodel tinha parado ali com uma quebra.

Como apontamentos finais: não tiveram a impressão de que entregaram quase todas as bolhas Peugeot para equipes menores? Eu só vi Rubens Fontes entre os 10 primeiros, e apenas mais um carro entre os qualificados, o de Sperafico, que acabou no muro. Esse é o motivo, ou a carenagem com estilo francês não está funcionando bem como as outras.

Sem elementos estratégicos, sem grandes ultrapassagens, sem velocidade (os Opala de 20 anos atrás já rasgavam a reta de Interlagos próximo a 250 km/h), com “carros” feios, é realmente fantástico que a Stock consiga tanto sucesso, um pequeno milagre. Enfim, não devo assistir muito do resto desse campeonato, vi com aquela curiosidade sobre as mudanças, não posso, porém, continuar dando audiência para uma série que não desenvolve o automobilismo nacional, por sinal o fecha num pequeno ciclo de corridas no modelo norte-americano. Míope e egocêntrico.

Ueba! Vamos para a festa do S do Senna. Blééé.. Se bem que até
dá um certo gostinho de ver as bolhas se desmanchando.

Acidente no S

Ah sim! Ganhou o Ricardo Maurício, grande piloto de kart na década de 1990 e com relativo sucesso nos monopostos europeus, mas que ficou sem dinheiro numa equipe fraca da Fórmula 3000 e acabou voltando para cá. Perdemos a sua ultrapassagem pela liderança, essa sim deve ter sido limpa, fruto do talento e habilidade que categorias mais refinadas ensinam…

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~ por Bernardo Bercht em abril 22, 2007.

Uma resposta to “Os Bolhas na pista”

  1. Eu já sabia que você gostava de Stock Car mas não imaginava que adorava tanto assim!!!

    Fala a verdade, a corrida foi muito boa, não foi? É uma pena que não tenhamos uma categoria de monopostos de alto nível aqui no Brasil mas, pelo menos, o novo regulamento da Stock neste ano favorece às ultrapassagens, então eu acho que dá pra nos contentar com isso aí. Além disso, dá uma aliviada boa nessa tortura de 4 semanas sem F1.

    abs

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