Day After – Grande Prêmio de Sepang

Ou então: Como estragar a festa da Scuderia…

Festa da Mclaren

            A McLaren conseguiu algo cada vez mais raro na Fórmula 1, o famoso “pulo do gato”. Depois de um segundo lugar distante, na Austrália, em Sepang a equipe britânica aplicou uma finta histórica na Ferrari e conseguiu uma dobradinha surpreendente, ainda que não fosse inesperada.

            Depois de a Ferrari ter demonstrado uma superioridade virtualmente inapelável nos treinos livres, o desfecho da corrida parecia óbvio. Mas a sexta-feira fulgurante da Scuderia foi apenas o prólogo para um sábado de resposta do campeão mundial, que colocou a McLaren na primeira-fila, e um domingo de pesadelo para as máquinas vermelhas, que viram seus algozes prateados dominarem a prova, na base do talento e da estratégia. 

“De trás pra diante”

Pontinho laranja na caixa de brita – O que é o que é? É o Adrian Sutil tentando fazer a Spyker levantar vôo… Depois de uma estréia atribulada (e atrapalhada), o alemão voltou a aprontar em Sepang, mas dessa vez nem conseguiu andar na frente do companheiro holandês, Christijan Alberts. Sutil fez questão de acabar com sua corrida em um furor (com o perdão da brincadeira), cruzando a pista fora de controle, segundos após a largada. Oito voltas mais tarde, a equipe holandesa já podia empacotar as malinhas e reservar as passagens para o Bahrain, câmbio quebrado para Alberts.

Rosso di vergogna – Tão extrovertidos nos releases… Esse pessoal da Toro Rosso é meio esquisito, pois está muito tímido na pista, onde vale. Passaram mais desapercebidos até do que as Spyker, que deixaram a prova em belas tomadas cheias de fumaça e emoção. Para gente tão ligada na imagem e marketing como a Red Bull, o sumiço de sua equipe B é realmente um mistério. Acredito que Liuzzi, penúltimo a frente apenas de Robert Kubica e seu BMW capenga, e Speed,  décimo quarto superando uma das Super Aguri, estão realmente envergonhados de usar o carro gêmeo da equipe principal da fabricante de energéticos.

Menos Super, mais Aguri – Os heróis japorongos foram de novo mais rápidos que a Honda na classificação, mas desabaram na tabela durante a corrida, um comportamento típico do carro que estão usando, o modelo adaptado do RA06 que a irmã rica desenvolveu no ano passado. Sato, 13º,  novamente melhor que Davidson, 15º, mas sem muito o que comemorar, pois dessa vez não conseguiu permanecer a frente de um dos bólidos da equipe Honda, nem causar sensação indo para a Superpole.

Desastre ecológico –  Anunciaram um novo pacote aerodinâmico para diminuir a diferença abissal que existia em relação às equipes de ponta, mas a evolução prometida está mais lenta que a velocidade de afastamento dos continentes (alguns cm por ano). Na qualificação os tempos continuam muito lentos, com Barrichelo caindo na primeira degola e Button longe de passar da segunda. Nem tudo é tão terrível, porém. Rubinho tem conseguido um ritmo de corrida louvável, que permitiu nas duas primeiras provas ultrapassar Button na pista e ter um domingo divertido, brigando no meio do pelotão. O brasileiro acredita que, encontrando algum acerto competitivo para os treinos, é possível brigar por pontos no Bahrain…

Fogo de palha e balde de água fria – Mark Webber, como em Melbourne, foi rápido na qualificação, colocando a Red Bull  na Superpole. David Coulthard foi um anônimo 13º. O australiano melhorou um pouco em relação à estréia, largou em 10º e chegou em 10º, sem assombra ninguém. Já o escocês optou pela ousadia, fazer uma primeira perna da corrida com muito combustível e tentar conservar os pneus macios no final. Parecia que ia funcionar e ele chegou a andar na frente do companheiro, mas além de perder uma posição para Wurz, em linda manobra, resolveu recolher para os boxes com “problemas de dirigibilidade”, com o pedal do freio encostando na barra de direção, faltou esforço para justifica seu alto salário à equipe, né?

Revezando pontinhos – Dessa vez foi Jarno Trulli que catou uns pontinhos para a Toyota. Beneficiado pelo abandono do “cliente” Nico Rosberg, o italiano melhorou em uma posição a performance de Ralf Schumacher, obtendo o 7º lugar. Ralf teve um furo lento no início da prova e acabou em um distante 15º. “The car in front is not a Toyota”, ainda assim tudo está muito bom  para um time cuja previsão era de horror extremo e últimas colocações no início da temporada. Melhor: passaram dos fregueses no campeonato de construtores, um pontinho na frente da Williams, mas na frente.

Lutadores azarados – O velho Frank conseguiu juntar um pacotinho muito interessante em sua equipe de verbas enxutas. A última das independentes mostrou imenso progresso munida dos propulsores Toyota e de um novo pacote de pratocinadores. Nico Rosberg se misturou novamente com os grandes, chegando com confiança à Superpole e mantendo um ritmo forte de corrida. Não era para ser, porém… Ao menos não na Malásia, a falta de sorte atingiu os dois dias mais importantes do final de semana. No sábado foi Alexander Wurz que ficou amarrado ao fim do grid com o câmbio quebrado. No domingo, Rosberg tentou administrar um problema no sistema pneumático do motor, mas abandonou um pouco depois da metade do Grande Prêmio. Nem tudo foi trevas, no entanto. Wurz fez uma grande corrida, com direito à uma ultrapassagem por fora em Coulthard, e se aproximou dos pontos com um 9º lugar.

Campeões e órfãos – Fisichella e Kovalainen sentem uma saudade incontrolável da Michelin… Ainda pouco adaptado aos Bridgestones, o carro campeão da última temporada não conseguiu acompanhar o ritmo dos líderes na Austrália e na Malásia ainda foi engolido pela evolução da Williams. Salvaram-se os pontos, e o pescoço de Kovalainen, ainda que temporariamente. Fisichella fez um prova competente, dadas as circunstâncias, e herdou o sexto lugar com a quebra de Nico Rosberg. Kovalainen errou bem menos do que na estréia (uma pena, menos estripulias) e conseguiu seu primeiro pontinho, mas para uma potencial estrela ficou devendo, uma avenida atrás do companheiro italiano.

Mantendo a forma –  A BMW foi a equipe mais regular nessas duas primeiras provas. Nick Heidfeld terminou duas vezes na quarta posição e Robert Kubica teve uma infinidade de problemas em ambas as provas. Sem o assoalho flexível ficaram um pouco mais longe de uma briga pelo pódio em circunstâncias normais, qualquer preocupação com a fragilidade do câmbio, porém, parece superada. Ambos os pilotos terminaram a prova, ainda que Kubica tenha amargado o último lugar, com pane no controle de tração e danos na carenagem. Heidfeld herdou a quarta posição com a trapalhada de Felipe Massa e não teve problemas para segurar o brasileiro até o fim da corrida.

Amarga derrota – Schooled, na expressão inglesa. Os italianos ficaram chupando o dedo e contendo danos em Sepang. Felipe Massa foi o grande destaque negativo da prova, largando da pole-position, com um carro mais leve (pois iria parar 3 voltas mais cedo), perdeu já na arrancada a liderança para Alonso e, na primeira curva, escolheu a trajetória errada, precisando frear para não bater no espanhol, o que prejudicou a tomada do seu companheiro de equipe e ainda deixou espaço suficiente para o ousado Lewis Hamilton roubar a segunda posição. Com os brios feridos, o brasileiro partiu com tudo para cima do “rookie” inglês. E acabamos vendo o esperado de Felipe Massa, a mesma falta de controle mental e do carro que vimos no seus tempos de Sauber e também no Bahrain, no ano passado.

               Ainda que seja importante destacar a dificuldade de ultrapassar na F1 atual, muita gente teve sucesso na curva 4 durante a prova. Arrojo precisa de uma combinação muito rara de talento para resultar num grande piloto e ali naquela manobra foi possível ver a diferença entre um bom piloto que dá os primeiros passos na categoria e um mediano afobado que com cinco anos de F1 ainda não aprendeu a preparar uma ultrapassagem. Depois disso Massinha se acomodou 5º, esquecendo do tal “arrojo” e comprometendo qualquer chance de brigar por status com Raikkonen. O finlandês por sinal, fez uma corrida discreta, sem arriscar nada, mas também sem botar nenhuma roda fora do lugar, preservando o motor que já tinha sofrido com um pequeno vazamento de água na Austrália. Garantiu o pódio, mas perdeu a liderança do campeonato.

O retorno aos dias vitoriosos – O campeão mundial devolveu a McLaren ao topo do pódio, nada mais correto, poderia-se dizer. No entanto parecia improvável depois da primeira corrida da temporada. Ainda assim, Ron Dennis e seus comandados trabalharam em todas as vertentes possíveis para reduzir a desvantagem para a Ferrari. E seus pilotos corresponderam, com apresentações impecáveis e dobradinha, o que não acontecia desde 2005, com Montoya e Raikkonen.

            Ao contrário do que pode parecer, a McLaren não tinha o melhor equipamento para Sepang, a bola ainda estava no campo da Ferrari, só que sendo o espetáculo de alto rendimento que é a Fórmula 1, todos os erros são pagos numa moeda de cotação estratosférica. A falha do motor de Raikkonen comprometeu sua performance na corrida e as diversas falhas de Massa impediram uma vitória controlada, de ponta a ponta, saindo da pole.

           Alonso foi não mais do que perfeito, das 10 melhores voltas da corrida, 9 foram suas. Hamilton ficou com a glória da largada e da volta mais rápida, além de defender com segurança a 2ª posição, parecia um veterano.

 Alonso

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~ por Bernardo Bercht em abril 10, 2007.

Uma resposta to “Day After – Grande Prêmio de Sepang”

  1. Foi uma corrida decepcionante sobretudo pelas lambanças do Massa. Até antes da prova, sua vitória era a aposta de muita gente mas deu nisso aí.
    Ele liderou muitos treinos tanto na pré-temporada quanto nesses dois GPs. Mas vencer que é bom, nada. Tá dando uma de Aguri: rápido nos testes mas na corrida…
    E a pressão vai subindo…

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