Onde é que cê vaaaaaai… Austrália / 2008
Uma corrida para queimar a língua de todo e qualquer mídia especializada em Fórmula-1. Analisando friamente, quase não houve acertos de qualquer pitaco que os jornalista deram em relação à abertura da temporada. Se eu fosse dar pitacos, erraria também, mas atrasei minhas previsões estrategicamente e agora só vou dar pós-pitacos.
Supostamente, deveríamos ter uma procissão ridícula da Ferrari nas ruas do Albert Park, mais de um segundo superior à adversária mais próxima, McLaren. Um retumbante equívoco! Não só a McLaren exerceu seu domínio como a Ferrari teve uma performance pastelão digna dos tempos de Cesare Fiorio, quando a Scuderia não faturava nem pódio e tropeçava nas próprias pernas. Massa foi cômico, apertanto o acelerador na primeira curva como se fosse um botão, e saindo direto no muro. Depois ainda colidiria com Coulthard, antes de parar com o motor quebrado. Raikkonen foi um valente, mas totalmente descompensado, o campeão mundial andou mais na terra do que no asfalto, salvando apenas um pontinho com a desclassificação de Barrichello.
Outro palpite muito quente, assim ó, de confiança, é que as BMW não seriam de nada, desequilibradas e difíceis de acertar. Nesse eu caí também. Mas eis que os alemães trouxeram um pacote que, apesar de horrível com todos os seus apêndices aerodinâmicos, é capaz sim de desafiar as duas ponteiras na ocasião apropriada. A “pole” de Kubica, que só foi perdida por erro dele mesmo, mostrou a velocidade plena do escrete de Mario Thyssen e o sempre confiável Heidfeld conduziu seguro ao pódio.
Outra pilotagem louvável foi a do esquecido pelos cronômetros Nico Rosberg. Um terceiro lugar para lá de merecido e a única aposta certa dos especialistas. A Williams volta sim para brigar no bolo da frente. Mas coitado do Frank, quando andava lá atrás não recebia muita cobertura de TV e agora, na frente, seus patrocinadores acabaram meio esquecidos pela equipe de filmagem australiana. Kazuki Nakajima tem velocidade, mas foi duplamente trapalhão, prejudicando a prova da Malásia, punido com 10 lugares no grid.
No meio da confusão, a Renault que era para concorrer forte como terceira força, por enquanto só em cima do enorme talento de Alonso, que nos propiciou uma ultrapassagem dupla sobre o talento abastecido com vodka de Kovalainen e Raikkonen. No entanto, teria terminado atrás da Honda de Barrichello, não fosse a patacoada Brawniana que os nipônicos mostraram nos finalmente da prova.
AAAAh, a Honda. Eu mesmo disse que parecia um elefante branco. Mas eis que, com a nova pintura, que eu achei muito bacana, virou Dumbo e, nas mãos de Rubinho voou nos treinos e manteve um ritmo combativo em corrida. Não ficou dúvidas que a Honda está no top 12 dos treinos e pelo menos top ten das corridas.
Seriam pontinhos merecidíssimos de Barrichello, mas o azar de o Glock gerar um safety car na sua última volta de combustível colocou tudo a perder. Ainda que a Honda fizesse seu trabalho perfeitamente, sem a trapalhada do “homem do pirulito”, a falta de atenção com as luzes vermelhas desclassificou o brasileiro.
Falando em Glock, a Toyota provou o que disse sobre rodar com o pelotão dianteiro, aliás, o grupo do meio-dianteiro está congestionado uma barbaridade. Mas a confiabilidade não acompanhou o progresso, assim como a Red Bull, que continua se desmanchando como se o carro fosse “grudado” com arame.
A turma da Toro Rosso, de carro velho, mas com muleques novos, merece menção. Vettel qualificou onde ninguém imaginava e Bourdais, aproveitando a sorte de ter parado momentos antes do Safety Car, segurou o ímpeto de Kovalainen e Alonso como um veterano até o motor Ferrari estourar.
Kovalainen foi outro que teve azar com o safety car. Tinha mais gasolina que Hamilton e poderia ter tomado a ponta com as voltas leves que daria antes de seu abastecimento. Mas o britânico estava destinado à vitória, desfilando sem percalços para a linha de chegada.



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